Os benefícios dessa técnica podem ser percebidos antes, durante e até após a gravidez. E o melhor: o bebê também é favorecido
Por Letícia Gonçalves / Shutterstock site: http://revistavidanatural.uol.com.br/saude-alimentos/26/artigo142745-1.asp
A gestação é um momento em que grandes mudanças ocorrem no organismo da mulher. São comuns, nessa fase, uma série de conflitos emocionais e problemas físicos. Procurando restabelecer o equilíbrio, a acupuntura pode ser uma ótima aliada das futuras mães. A aplicação de agulhas no corpo ainda pode parecer estranha, mas é altamente eficaz. Para entender melhor seus benefícios, acompanhe a conversa com o presidente da Associação Brasileira de Acupuntura (ABA), Evaldo Martins Leite.
Vida Natural - O que é a acupuntura?
Evaldo Leite - É um método de prevenção e tratamento de distúrbios que busca uma visão integral, ou seja, procura tratar do indivíduo como um todo. São feitos estímulos de pontos específicos no corpo com agulhas finas e outros instrumentos, sem causar dores. A intenção é alcançar o equilíbrio do organismo e, para que isso seja possível, as energias nele presentes devem estar bem distribuídas em todos os órgãos e funções, sem excesso ou insuficiência.
VN - A aplicação dessa técnica durante a gravidez é recente?
EL - Não, faz tempo que ela é utilizada. O problema é que não foi muito divulgada ao longo dos anos. A acupuntura, originária da medicina tradicional chinesa, sempre teve seus limites porque muitos não queriam aceitar que a cultura oriental pudesse fornecer elementos tão valiosos. Ainda hoje, há pessoas que duvidam que ela seja realmente benéfica. Mas já existem pesquisas que comprovam a eficácia da técnica, até mesmo em grávidas.
VN - Quais as vantagens para a futura mamãe?
EL - Além de ser segura tanto para a mãe quanto para o bebê, a acupuntura não é agressiva ao organismo e quase não provoca efeitos colaterais. A maior parte da experiência que tive com pacientes grávidas foi positiva. Vi, por exemplo, que mães que se submetem com regularidade a um pré-natal com essa técnica proporcionam benefícios não só para si mesmas como para a criança também, que se desenvolve com mais saúde e um melhor sistema imunológico.
A técnica também é indicada para evitar náuseas e vômitos
VN - Há algum período ideal?
EL - Não. As sessões podem ser feitas desde a concepção até a conclusão do trabalho de parto. Os pontos irão variar de acordo com a fase da gestação. Existem restrições apenas em alguns pontos, que devem ser evitados por poderem provocar efeitos indesejáveis, como uma intervenção negativa no desenvolvimento da criança.
VN - Esses pontos não tornam o tratamento perigoso?
EL - De modo algum. Isso não deve ser motivo para amedrontar as gestantes. Os especialistas na técnica sabem quais são esses pontos. É só procurar um profissional de confiança, ou seja, que realmente tenha especialidade na área. A acupuntura, como todo método de tratamento sério, exige um conhecimento específico para sua aplicação.
VN - Há benefícios em fazer acupuntura antes da gestação?
EL - Sim. O estímulo de alguns pontos pode ajudar de modo significativo na fertilidade. Além disso, quando a mulher se submete a sessões regulares de acupuntura, realiza um melhor preparo de seu corpo para conceber um bebê. Com o organismo em equilíbrio energético, seu funcionamento será muito melhor, aumentando a resistência contra doenças e a estabilidade emocional.
VN - E durante a gravidez, quais são as funções da técnica?
EL - São muitas. Se feita pelo menos uma vez por mês, a acupuntura pode proporcionar resultados positivos em diversas funções fisiológicas. Há uma melhora nos sistemas respiratório, cardíaco, imunológico, digestório, urinário, enfim, na saúde em geral. A técnica funciona, ainda, como analgésico, anti-inflamatório e antialérgico.
VN - Quais exemplos de problemas desse período ela ajuda a tratar?
EL - A acupuntura é muito indicada para evitar náuseas e vômitos, comuns até o terceiro mês. Também contribui em casos de cefaleia, má digestão, gastrite, dor lombar ou abdominal, problemas na circulação, dificuldades no sono, dores de cabeça ou nas pernas, enxaqueca e rinite.
Na parte emocional, pode amenizar distúrbios, como ansiedade, estresse e, até mesmo, depressão.
VN - Pode haver algum benefício no momento do parto?
EL - Sim. Primeiro, porque a gestante vai estar mais preparada, tanto fisicamente quanto mentalmente, uma vez que a técnica contribui para deixá-la tranquila e relaxada. Outra contribuição será para aliviar as dores de parto, que podem ocorrer durante o período de dilatação. No caso de cesárea, as dores após a cirurgia também podem ser amenizadas.
VN - Como a técnica ajuda mães que já passaram pela gravidez?
EL - A maior procura nessa fase é para tratar a depressão pós-parto. Nesses casos, é necessária a aplicação de agulhas com mais frequência, de uma a duas vezes por semana. Mas pela experiência que tive, as mães que já faziam o tratamento antes do parto dificilmente ficavam depressivas. A estabilidade emocional é muito maior com um organismo equilibrado.
VN - A acupuntura pode substituir o uso de medicamentos?
EL - Na maioria das vezes, sim. Se for mantida uma regularidade das sessões, de acordo com a necessidade do distúrbio que a gestante apresenta, serão grandes as chances de dispensar outras formas de tratamento. Foi o que observei em grande parte dos casos que eu tratei. Isso é ótimo, pois a gestação é um momento delicado para o uso de muitos medicamentos.
VN - Como os benefícios podem refletir no bebê?
EL - Com o organismo da mãe funcionando de modo estável, pode haver uma melhora na nutrição através da placenta. Além disso, as energias que ainda estão se formando dentro do pequeno também começam a ser equilibradas. Por isso, maior será a probabilidade da criança ser mais tranquila, saudável e resistente.
VN - O recém-nascido também pode fazer acupuntura?
EL - Pode desde os primeiros meses, mas quase não se utiliza agulha. É mais para uma manipulação geral de todas as energias. Os estímulos são feitos com carretilha, instrumentos de massagem e, sobretudo, com os dedos. O motivo é que os toques podem ser mais leves. Quanto mais jovem, maior a quantidade de energia disponível para o trabalho de equilíbrio. Por isso, a resposta é melhor e mais rápida e não são necessários estímulos muito intensos.